Hortas urbanas - video e conselhos para contruir uma na varanda

Mais um vídeo onde se retrata experiências de hortas urbanas na região metropolitana de Lisboa. Ficam ainda mais algumas dicas para quem se queira iniciar.



Ver mais vídeos práticos para construir uma horta na varanda aqui

Criar hortícolas e ervas aromáticas no pátio ou na varanda não é difícil.

Localização

Um local aberto e abrigado é o melhor para as hortícolas. Varandas ou pátios viradas a nascente, sul ou poente são óptimas e mesmo as viradas a norte não impedem o cultivo de hortícolas menos "esfomeadas" de sol. O que importa é que as plantas apanhem a maior número de horas de luz solar possível. Nalguns casos, mesmo varandas viradas a norte têm por perto um prédio que ao reflectir a luz do sol facilita o cultivo de hortícolas. Observe como a luz do sol ilumina o seu pátio ou varanda de manhã e à tarde e referencie os locais de maior luminosidade, pois esses serão os ideais para colocar a sua cultura. Apesar de complexo e até caro, em última análise, é possível montar iluminação artificial ou largas superfícies claras de diferentes materiais (como chapas metálicas brancas ou chapas de policarbonato branco, etc) colocadas de maneira tal que sirvam de reflector de luz solar e melhorem as condições do seu local.

Canteiros, vasos e contentores

Se tem espaço disponível o melhor é um canteiro elevado. tem a vantagem de um volume de substrato generoso que amortece o perigo de seca em períodos de intenso calor, permite quase todo o tipo de culturas e é cómodo para trabalhar, evitando o dobrar das costas e das pernas quando o canteiro é térreo. um canteiro elevado não é mais que uma "caixa" paralelipipédica com dimensões razoáveis e uma profundidade de 40 a 50 cm apoiada num tipo de suporte qualquer de modo a que o bordo superior do canteiro fique entre 60cm a 70cm do chão. Pode ser feita em alvenaria, madeira, plástico ou outro tipo de mateirais (compósitos como fibra de vidro, etc.). Quando feitos em madeira rústica a emitar troncos sobrepostos dão um acabamento muito bonito e natural. As dimensões de um canteiro elevado dependem do espaço disponível mas como aproximação podemos usar o princípio de múltipos de 30 cm, ou seja, 30X30 (isto é um vaso), 30X60 (isto é uma floreira), 60X90, 90X120, 90X150, são dimensões possíveis para um canteiro elevado em função do espaço disponível.

Em última análise um vaso é um mini canteiro elevado com a diferença que a sua profundidade é igual ao seu diâmetro no vaso standard. O que importa é fixar que uma planta de médio porte como tomateiros ( ver história e benefícios do tomate), feijoeiros, ervilhas, couves, pepinos ou pimenteiros necessitam de cerca de 25 litros de substrato por cada planta ao passo que as hortícolas de pequeno porte como as alfaces, espinafres, rabanetes, etc. necessitam de 13 litros de substrato por cada planta. 25 litros é aproximadamente o volume de um vaso standard de 30 cm de diâmetro e 13 litros o de um vaso de 15cm de diâmetro.

O canteiro também pode se térreo, ou seja em vez de elevado e assentar num suporte de apoio e elevação, pode assentar directamente no chão do pátio ou da varanda, havendo o cuidado de deixar uma folga ou furo de drenagem para o escoamento de águas.
Numa floreira de 30X90 podemos plantar 3 plantas de médio porte (por exemplo 3 tomateiros) ou 12 plantas de pequeno porte em duas filas espaçadas de 15cm com uma distância entre pés também de 15 cm.

Não devemos nunca esquecer que tanto os vasos como os canteiros devem possuir furos de drenagem ao longo do fundo do contentor. É preferível ter vários furos de pequeno diâmetro que um grande furo único.

Em função do espaço disponível e da vontade de cada um, podemos criar uma pequena horta urbana na varanda ou no pátio com composições variadas de canteiros e vasos de diferentes dimensões de modo a tornar o espaço harmonioso e agradável. As regras básicas foram expostas, agora vale a criatividade de cada um.


Substratos

A cultura em contentores difere da cultura tradicional na terra fundamentalmente no facto do volume de substrato disponível ser menor. Por isso este substrato tem de ser permeável mas capaz de reter humidade e deve ser rico em matéria orgânica, já que as hortícolas são de um modo geral exigentes em matéria de nutrientes. Por outro lado, como o volume de substrato é menor seca e aquece mais depressa que um maior volume de terra, aumentando assim a sensibilidade da cultura ao meio ambiente. O esgotamento do substrato (perda de lementos essenciais e nutrientes) é mais rápido qaundo em pequeno volume, sendo necessário reforço de matéria orgânica ou mudança de substrato sempre que se inicia uma cultura. Se a rotação de culturas é importante quando se cultiva no solo em contentor é ainda mais importante, não devendo nunca ser plantado no mesmo substrato a mesma hortícola em anos consecutivos, ou seja se no 1º ano plantámos um tomateiro num dado contentor, no 2º ano devemos reforçar o substrato com adubo orgânico e plantar um feijoeiro ou outra diferente mas nunca outro tomateiro, a menos que modemos o substrato todos os anos. No 3º ano já podemos plantar novamente o tomateiro.

O reforço do substrato deve preferencialmente ser feito com adubo orgânico de origem vegetal ou animal devidamente curtido que se pode adquirir nas lojas da especialidade ou mesmo nos hipermercados. O adubo orgânico não só repõe o nível de nutrientes como melhora a capacidade de reter humidade sem perder a permeabilidade.

O substrato propriamente dito é uma mistura standard de terra para vasos disponível nas lojas referidas. A este juntamos duas pás pequenas de jardinagem de adubo orgânico por cada 25 litros de substrato. Nalguns casos o substrato já tem adubo orgânico adicionado, sendo dispensável qualquer outra adição inicial. É recomendado ler nos sacos de composto ou terra as indicações e características que o fabricante fornece afim de evitar excessos de adubação que também são prejudiciais ( ver como fazer compostagem em casa - artigo - vídeos).

Plantar

Tanto para os canteiros elevados como para os contentores e vasos, o método é identico e consta da criação de uma camada de alguns cm no fundo do contentor de um material que impeça que o composto saia com a água da rega, como gravilha, pedras ou esferas de argila expandida (leca) seguida de uma camada de composto até 2/3 ou 3/4 da altura do vaso ou contentor. Sobre esta camada dispomos as plantas e acabamos de encher o último 1/3 ou 1/4 com mais composto compactanto ligeiramente em torno do pé da planta. No caso dos canteiros elevados, far-se-á o enchimento do canterio até 2cm ou 3 cm do bordo superior e far-se-ão pequenas covas espaçadas e em linha de acordo com o tipo de cultura, onde se coloca a planta e se tapam as raizes com o mesmo composto, compactando tambem em volta do pé da planta. No caso dos vasos em que se plantam hortícolas de médio porte que requerem armações de suporte, é boa ideia colocar as canas ou outro tipo de suporte dentro do vaso antes de o encher de terra; é mais fácil, fica mais seguro e não danificamos raizes.

As plantas estão prontas para ser plantadas (veja-se neste tópico sementeira em alfobre) quando atingem 15cm de altura com 5 ou mais folhas. Para diminuir o risco de seca e no caso de plantas com caule erecto, podemos retirar as duas folhas inferiores (do lado das raizes) e enterrar a bola de raizes a uma profundidade tal que as folhas inferiores restantes fiquem a 2cm ou 3cm da superfície do composto.

Uma vez plantadas as hortícolas, é boa ideia deitar uma mão cheia de bolinhas de adubo químico de libertação lenta que possua Cálcio na sua composição.

Rega

O maior risco quando se cultiva em contentores é a secagem do substrato e a respectiva morte da planta. A rega aqui assume cuidados redobrados. Regar de manhã e nunca deixar secar o substrato é a regra a seguir. Nos meses mais quentes pode ser necessário regar todos os dias, mas o melhor é enfiar o dedo no substrato e avaliar do estado de humidade a 3cm ou 5 cm de profundidade.

A rega deve ser feita apenas sobre o substrato e não sobre a planta, com chuveiro fino de regador ou mangueira devidamente ajustada para não fazer jactos de água que iriam abrir furos no substrato e expor as raizes da planta.

Manutenção da cultura

Inspecção diária quando se rega ou após esta é uma boa prática. Esta inspecção deve incidir sobre a planta e sobre o substrato. Sobre a planta para detectar pragas ou doenças no seu estado inicial o que torna o seu controlo muito mais fácil do que quando a praga ou doença se espalha por toda a planta. Os afídeos (ou piolhos) multiplicam-se às centenas no espaço de alguns dias, pelo que, se não os eliminarmos quando são poucos fica muito mais difícil correr com eles. Inspeccionar a planta para avaliar do seu estado geral, volume e forma, eliminando algumas folhas ou ramos que não interessam ou despontá-los para parar o crescimento de folhas e caules e induzir os frutos.

Inspeccionar o substrato para remover ervas daninhas e o estado de compactação junto do pé da planta. Com as regas o substrato vai abater progressivamente e compactar-se naturalmente.Se se torna demasiado compacto, dificulta a aerificação das raizes e a penetração da água da rega. Quando avaliarmos que o substrato está muito compacto, devemos revolver a terra junto do pé com um pequeno sacho de modo a descompactá-lo.

O resto é o sol e a água que se encarregam de nos dar os frutos ou as folhas para as nossas mesas.

Fonte texto: http://www.quiosquedasideias.com/

2 comentários:

Nuno disse...

Gosto mt deste blogue

(e são conselhos, não concelhos :) )

Alfredo disse...

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